Como o Adubo Acontece

Compreendendo o processo de compostagem


No processo de decomposição natural, podemos intervir para criar, regular e manter um ambiente propício para o desenvolvimento desses organismos decompositores e, assim, acelerar o processo. A maneira e a frequência com que você maneja o processo influencia no tempo da compostagem, na qualidade do composto e nos problemas que podem ou não se desenvolver. Portanto, é necessário entender os fatores que afetam a compostagem.


Fatores que afetam a compostagem


Aeração e oxigênio: a compostagem é um processo aeróbio, isto é, requer oxigênio. Ele é elemento chave para o correto desenvolvimento dos organismos decompositores. O oxigênio consumido durante a compostagem deve ser continuamente reposto pela aeração (fluxo de ar que deve passar pelos resíduos). É possível promover uma boa aeração colocando materiais maiores na pilha de compostagem para criar espaços para a circulação de ar, bem como movimentar (mexer) de tempos e tempos a pilha de resíduos, para que se soltem e misturem. Se o oxigênio for escasso, a decomposição se tornará anaeróbia. A decomposição anaeróbia é indesejável numa pilha de composto, pois é mais lenta, gera odores desagradáveis e produz menos calor.


Nutrientes: Os organismos decompositores obtêm vários nutrientes dos resíduos da compostagem, mas o carbono (C) e o nitrogênio (N) são particularmente importantes. Uma proporção equilibrada de carbono e nitrogênio normalmente assegura o fornecimento de todos os nutrientes e permite que o processo avance rapidamente. O equilíbrio entre eles pode ser obtido pela combinação de materiais ricos em carbono, chamados materiais “castanhos”, com materiais ricos em nitrogênio, chamados materiais “verdes”.


Degradabilidade: A rapidez com que o processo de compostagem ocorre é, em grande parte, determinada pela degradabilidade dos resíduos, ou seja, a facilidade com que se decompõem. Os microrganismos digerem mais facilmente, resíduos que contenham grande proporção de açúcares, amido e proteínas, tais como restos de comida, esterco e vegetais verdes. Palha, caules de plantas e, especialmente, materiais de madeira levam um tempo maior para se decompor e podem até passar pelo processo de compostagem sem sofrer grande alteração. Você perceberá que os materiais ricos em nitrogênio, “verdes”, tendem a se decompor mais rapidamente, enquanto que os ricos em carbono, “castanhos”, são menos degradáveis. A degradabilidade de um resíduo é aumentada pela fragmentação e pela garantia de quantidades adequadas de nitrogênio e água disponíveis.


Umidade: os microrganismos necessitam da umidade para realizar seu trabalho. Se os resíduos estão secos, a velocidade do processo diminui. Por outro lado, muita água faz com que a pilha de compostagem fique encharcada e densa, o que dificulta a aeração. Os materiais da compostagem devem estar úmidos, não ensopados.


Área de Contato: os organismos decompositores trabalham na superfície dos fragmentos dos materiais utilizados para a decomposição. Fragmentos menores oferecem maior velocidade no processo de degradação. Entretanto, uma pilha de resíduos que contenha apenas fragmentos ou pedaços muito pequenos é densa e, consequentemente, pouco arejada. Fragmentos com cerca de 2cm a 5cm, geralmente, são bons para compostagem. Conforme a decomposição progride, as partículas diminuem de tamanho e tendem a se compactar. É nesse ponto que a pilha deve ser movimentada para que ocorrá a sepação dos fragmentos e, consequentemente, uma melhor aeração.


Temperatura: o calor produzido pelos microrganismos durante a compostagem aumenta a temperatura dos resíduos. A temperatura numa pilha de composto geralmente, alcança cerca de 50ºC e algumas vezes ultrapassa os 70ºC. Altas temperaturas (cerca de 60ºC) tem a vantagem de eliminar seres patogênicos (microrganismos que causam doenças) e ervas daninhas. Como as pilhas de compostagem de quintal são menores, fica um pouco mais complicado manter temperaturas dentro desse escopo. Isso não é exatamente um problema, pois é possível produzir bons compostos com temperaturas moderadas. A menos que os resíduos que estejam sendo compostados estejam contaminados ou contenham muitas sementes, a falta de altas temperaturas não afeta tanto o resultado final.


Tempo: dependendo dos resíduos e das condições da pilha de compostagem, o processo pode durar várias semanas ou até mesmo mais de um ano para finalizar-se. Geralmente, o composto estará pronto para o uso dentro de três a seis meses, se for devidamente movimentado, tiver a umidade adequada e uma boa mistura de resíduos. Com as movimentações diárias e a alta degradabilidade da pilha de resíduos, o tempo da compostagem pode ser reduzido para menos de um mês. Métodos que envolvam pouco ou nenhuma movimentação dos resíduos, normalmente, requerem mais de um ano para produzir o composto e deixá-lo apto para o uso.